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A importância do hebraico bíblico

Quase todos sabem que a Palavra de Deus surgiu no contexto histórico do povo judeu. A verdade é que cerca de três quartos da Bíblia Sagrada foi escrita originariamente em hebraico. E apesar de quase todo restante ter sido escrito em grego, o raciocínio por trás da maioria dos documentos do Novo Testamento é claramente hebraico.

Portanto, se há uma língua importante para os estudos bíblicos mais profundos, sem dúvida alguma, trata-se do hebraico.

Diante disso, temos de reconhecer que existe motivo de sobra para que o cristão procure conhecer o hebraico bíblico. Vamos relacionar as razões mais importantes.

Conhecer o hebraico é envolver-se com o sagrado. Esse conhecimento permite-nos falar as mesmas palavras e frases que os antigos profetas e homens de Deus falaram.

A língua possui uma sonoridade bonita, exótica e diferente. Sinta o som do primeiro versículo bíblico: Bereshit bará elohim et hashamaim veet haarets. O hebraico é a língua antiga mais preservada que existe. Se Isaías ressuscitasse hoje teria condições de comunicar-se e de pedir um almoço em um restaurante de Jerusalém.

Conhecer o hebraico é uma emocionante viagem ao desconhecido. As letras são diferentes e parecem pequenas obras de arte, as consoantes são mais importantes do que as vogais, a língua é escrita da direita para a esquerda (sentido oposto ao nosso) e as palavras são totalmente diferentes das que conhecemos. Por incrível que pareça há termos parecidos: ou em hebraico é ‘o (ô).

Conhecer o hebraico significa conhecer uma cultura muito diferente. As línguas não possuem apenas palavras diferentes para as mesmas coisas. Elas são uma expressão da cultura e do modo de ser de um povo.

No hebraico não existe gênero neutro como há no inglês. Tudo é dividido entre masculino e feminino; existe o pronome você (masculino) e você (feminino). Ideias abstratas são muito raras. A expressão bíblica “fazer uma aliança”, por exemplo, é literalmente “cortar uma aliança” em hebraico.

É por isso que é impossível fazer uma tradução totalmente literal da Bíblia. Conhecer o hebraico é aprender a pensar de modo diferente. O hebraico também é muito diferente do português e do inglês por possuir um jeito e uma ordem de frase muito diferente. A gramática é peculiar. Uma característica interessante da língua é o seu aspecto conciso.

A antiga língua dos hebreus usava poucas palavras para dizer muito. Os verbos de ligação são dispensados, os pronomes pessoais estão embutidos na maioria das formas verbais e algumas preposições e sufixos de posse aparecem anexados aos substantivos.

Outra questão que merece atenção é o verbo do hebraico. Estamos muito acostumados com a ideia de tempo verbal em português. Para muitos é surpreendente descobrir que o que caracteriza o verbo no hebraico não é principalmente o tempo do verbo, mas sim o modo da ação. O que mais importa é se a ação é acabada ou não. Em muitas passagens bíblicas somente o contexto determinará se o verbo deve ser traduzido no futuro, no presente ou no passado. Um exemplo dessa diferença pode ser visto no Salmo 15.2. Veja a tradução literal comparada com a tradução correta (NVI):


Andante integramente e praticante
(da) justiça
E falante (da) verdade no seu coração.

Aquele que é íntegro em sua conduta e pratica
o que é justo,
que de coração fala a verdade.

Conhecer o hebraico significa entender corretamente as palavras teológicas da Bíblia. Esse conhecimento é muito importante para que não sejam ensinados conceitos errados nas igrejas evangélicas. Os vocábulos hebraicos muitas vezes não possuem correspondentes adequados em português. O campo semântico das palavras é muito particular e até mesmo estranho para nós. É por essa razão que uma tradução totalmente literal da Bíblia não teria sentido em português.

Uma das palavras muito importantes do Antigo Testamento, por exemplo, é o termo Sheol, traduzido por Hades no grego do Novo Testamento. A tradução uniforme do termo não é adequada. Sheol refere-se de fato ao “mundo dos mortos”, e, em muitos contextos, refere-se concretamente à sepultura, em outros textos a ideia é profundezas.

Há contextos poéticos onde o sentido é morte; mas em muitos textos a ideia é mundo dos mortos (no NT Hades pode significar inferno em certos textos). Quem poderia imaginar que a palavra Shalom, tão conhecida, não significa simplesmente paz? Shalom quer dizer também prosperidade, vida plena, segurança. Em português essas associações não são claras. Quando um judeu cumprimenta o outro, ele pergunta: “Como vai a tua paz?”.


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