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A conquista de Judá pela Babilônia

O inesperado aconteceu! A Babilônia invade Judá e conquista Jerusalém no século VI a.C. A nação, a santa cidade e o templo de Deus estavam entregues nas mãos dos
ímpios gentios das terras mesopotâmicas. Esse foi um dos maiores dilemas da história
do povo de Deus no Antigo Testamento.

O período imediatamente anterior à conquista neobabilônica deve começar com o rei
Manassés (2Rs 21.1-18; 2Cr 33.1-20), que havia reinado 55 anos (687/6-643/2). Conforme os registros dos livros de Reis, ele fora um rei muito perverso (2Rs 21.16). É muito provável que seu desvio religioso deva-se à sua fidelidade para com os assírios, de quem era vassalo leal.

Nesse período, conflitos internos podem ter produzido uma perseguição religiosa aos que defendiam a religião nacional, conforme observou o estudioso Norman Gottwald.

Amom torna-se rei em lugar de Manassés (642-640 – 2Rs 21.19-26; 2Cr 33.21-25) e é assassinado. Tudo indica que ele foi assassinado prematuramente por pessoas ligadas a um partido antiassírio da corte, que provavelmente pretendia restabelecer a
dinastia davídica.

No cenário internacional, o pano de fundo da história anterior à época da queda de Judá começa com o declínio do império assírio após a morte de Assurbanipal (633). Esse fato permitiu maior liberdade e crescimento da influência do reino de Judá sobre a parte norte do país (Israel). As conquistas neobabilônicas, aliados aos medos, sobre as terras dominadas pela Assíria, abriram um bom espaço para o crescimento do nacionalismo judaíta.

Foi nesse contexto que Josias assumiu o poder em Judá. Ele fora colocado pelo “povo da terra”, grupo sociológico de perfil exato desconhecido. Suas reformas incluíram a purificação do templo de outros lugares judaítas sagrados, a apresentação pública do livro da lei e a centralização do culto em Jerusalém, medida estendida a todos os territórios recém-dominados (2Rs 22.1–23.30 e 2Cr 34.1–35.27). O apogeu da reforma de Josias ocorre na Páscoa de 622 a.C.

Na época do seu reinado (640-609), a Assíria perde força e controle de muitos lugares e Judá prospera. Segundo Jeremias (Jr 22.13-19) Josias muito fez em favor da justiça social. Todavia, teve um fim trágico, quando tentou desafiar o faraó Neco II, aliado assírio, morrendo na batalha de Meguido em 609. Nos próximos três meses após a sua morte Joacaz reinou em Judá (2Rs 23.31-34; 2Cr 36.1-4 e Jr 22.1-12).

Ele é preso em Ribla, pelo faraó Neco II, e Jeoaquim (Eliaquim – 2Rs 23.34–24.7; 2Cr 36.4-8; Jr 22.13-23; 26; 36) assume o trono como vassalo do Egito. Ele se mantém no reinado até 598 a.C.

Enquanto isso, os neobabilônios conseguiram sua independência completa do poder assírio, a qual foi consolidada sob a liderança de Nabopolassar. Ele se tornou rei na Babilônia em 22-23 de novembro de 626 a.C. e quatro anos depois conquistou a cidade de Nipur. Já em 616 a.C. Nabopolassar conseguiu expulsar os assírios para o norte, chegando até Harã. Diante da ameaça neobabilônica, a Assíria aliou-se ao Egito, ex-domínio libertado em 654 a.C. por Psamético I.

Em 614 a.C. Ciáxares (aliado medo da Babilônia) conquista Assur. Depois disso, a aliança medo-babilônica torna-se uma ameaça crescente (Nabucodonosor casa-se com Amitis, filha de Ciáxares). Finalmente essa aliança conquista Nínive. Sinsariscum, rei assírio, deve ter morrido na destruição da cidade.

Em 605 a.C., Nabopolassar enviou Nabucodonosor para combater a ameaça egípcia, que havia tomado Carquêmis desde 609 a.C., em aliança com os assírios. Os egípcios
são derrotados. Nabucodonosor invade as terras de Judá e acaba se instalando em Ribla. O rei Jeoaquim, ex-vassalo do faraó Neco II, agora estava sujeito ao monarca neobabilônio. 

Com a morte de seu pai (15-16/08/605), Nabucodonosor é coroado rei na Babilônia (6-7 de setembro). Jeoaquim concordou em ser seu vassalo por três anos (2Rs 24.1). Em 601 a.C. os babilônios tentam conquistar o Egito, mas são resistidos por Neco II. A partir daí fortificam suas bases em Ribla e Hamate. Pelo fato de Judá ter buscado apoio no Egito, Nabucodonosor assedia Jerusalém, que se rende em 15-16 de março de 597 a.C.

Com a morte de Jeoaquim em 598 a.C., em Jerusalém, Joaquim (também chamado Jeconias ou Conias – 2Rs 24.8-17; 2Cr 36.9-10; Jr 22.24-30; 52.31-34), seu filho, é o rei que perde a capital para o poderio neobabilônio, durante um reinado de apenas três meses. Ele é levado para a Babilônia, e seu tio Zedequias (2Rs 24.17–25.7; 2Cr 36.11-21; Jr 39.1-10; 52.1-11) é nomeado rei-títere em Jerusalém. 

Zedequias fica no poder por 11 anos e rebela-se contra os babilônios, o que provoca o cerco e a destruição da cidade em 15 de agosto de 586. Em sua tentativa de fuga, Zedequias é preso em Jericó, levado para Ribla, e depois para a Babilônia, cego, onde morreu. 

Depois, um funcionário de Mispá, Gedalias, governa sob o domínio neobabilônico. Ele e seus partidários são assassinados. Os culpados fogem para o Egito (2Rs 25.23-26). Estes momentos tristes e finais que colocaram um ponto final no reino do sul trazem lições importantes para todos. Os profetas, principalmente Jeremias e Habacuque, enfrentaram esses dias e trouxeram palavras divinas que esclareciam a situação.

Em primeiro lugar, a queda de Judá teve origem na idolatria. A postura de Deus foi a seguinte: “Se vocês querem ídolos, vou mandá-los para onde há muitos deles”. Depois que voltou do cativeiro, nunca mais a nação caiu na idolatria! 

O outro problema sério foi que a nação fizera uma aliança com Deus (Êx 19–24) no Sinai, e quebrou-a plenamente. Por isso, o Deus justo trouxe o castigo merecido para a nação idólatra. 

Finalmente, a insuficiência da antiga aliança abre espaço para a nova aliança (Jr 31.31-34), que desemboca na promessa de uma lei que será praticada “de dentro para fora”, por ser “escrita no coração”. 

A nova aliança se cumpre na vinda e na obra de Cristo, conforme vemos expresso no Novo Testamento (Hb 8.8-13). O momento de maior desastre e tristeza da história bíblica tornou-se o de maior esperança e alegria da redenção humana.


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